sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Começou

Daí tô eu... oficialmente de férias, cantarolando (mais pra berrando mesmo) no carro, dirigindo de volta pra casa, planejando meus próximos dias.


Em momentos como esse você nunca espera ser interrompido.
Eu fui.

Tô parado no semáforo, quando vejo um flanelinha pedindo pra limpar o vidro do carro da frente e, logo em seguida, tendo o seu pedido negado. E ele, um garoto alto com um jeito todo bizarro de andar, aquela malemolência que assusta a qualquer um, deixou o carro da frente e veio em direção ao meu.

O fato do meu vidro estar hoje incrivelmente limpo (coisa que é rara) me permitiu ver com nitidez ele vindo, aproximando aquele rodozinho demoníaco e aquela esponja do meu vidro. Sempre que um flanelinha desses lava vidro de carro, as chances do vidro terminar pior do que estava antes são grandes.

Eu logo me adiante e gesticulei, gritei com os braços: "não rola, não tenho grana. Não precisa".

Ele então se aproximou do meu vidro, que já estava semi aberto:

- Ah sinhô, então me dá só uma moeda, por favor.
- Desculpa, não tenho dinheiro mesmo! Se tivesse dava, mas não tenho! (ah tá).

Ele, notando uma certa simpatia no meu discurso e sentindo uma abertura pra se expressar, começou:

- Olha, não abre o vidro pra qualquer ladrão não! Tem ladrão que é malandro, não dá pra abrir o vidro assim não. - ele falava e meio que dançava ao mesmo tempo - Comigo é sossegado, mas não dá pra deixar vidro aberto com qualquer um não! Fecha esse negócio aí!

Minha pupila dilatou.

*ok, ok, ele acabou de dizer que é ladrão. Eu acabo de receber o meu salário. Já dei parte dele na parcela do meu carro, mas uma boa parte tá aqui na minha carteira ainda, já que tive que sacar e não pude depositar. E ele acaba de dizer indiretamente que é ladrão. Um ladrão sossegado, segundo o próprio, mas ainda um ladrão*, pensava eu.

Já que o farol não abria, ele continuou:

- Tô falando sério viu! Tem que ficar esperto - falando cada vez mais perto do vidro, e eu já doido pra fechar na cara dele, o que talvez não fosse a melhor das ideias.

O farol abriu.
Mal a fila andou e eu segui meu caminho, fechei o vidro (pra ele ou qualquer outro ladrão). Pelo retrovisor, eu vi que ele continuou tagarelando com algum amigo imaginário.

Quanto a mim, segui meu rumo. Levei uns 5 minutos pra voltar a cantar e lembrar que já tava de férias.

Digo isso tudo só pra narrar, de forma inusitada, que eu estou de férias. E já vi que vai ser aventura.

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